O que é Cultura ? segundo o dicionário cultura significa: Conjunto de costumes, crenças e atividades de um grupo social.
Com suas raízes na história, influenciada pelo clima e outros inúmeros fatores, podemos dizer que cultura é A FORMA DE SER de um povo. Todo ser humano nasce com características individuais que serão moldadas de acordo com a cultura vigente a seu redor. A criança Boliviana nascida no agreste Altiplano aprenderá a lidar com cabras, se vestir com grossas roupas tecidas manualmente e dormirá ouvindo canções de ninar em idioma Aymará, ancestral cultura que sobreviveu a chegada do colonizador europeu que impôs por estas latitudes sua cultura a ferro e fogo. A criança urbana do centro de São Paulo e a indígena que brinca no igarapé na floresta amazônica são ambas brasileiras, porém é inegável que irão crescer sob estímulos radicalmente diferentes. Assim, cada individuo será determinado, marcado indelevelmente desde cedo tanto nos traços físicos como nos emocionais e mentais por esta “forma de ser”. Ao mesmo tempo que recebe esta carga cultural que o modela, ele próprio se torna o agente continuador dela. Curioso por natureza, o homem viajou entrando em contato com outros povos aos quais influenciou sendo também por ele influenciado, disseminando costumes diferentes que hoje são mostrados em tempo real pelos quatro cantos da terra via meios de comunicação de massa.
BRASIL - CANOA QUEBRADA
Gigante por natureza, Brasil abriga dentro de si uma diversidade enorme de climas, ecossistemas, raças e culturas. Índios, negros, africanos, europeus, e mais tarde asiáticos e latino americanos tornaram o Brasil do século XXI um caldeirão cultural singular no planeta. Em que outro lugar podemos encontrar abrigados sob uma mesma bandeira um índio que nunca teve contato com homens brancos, vivendo igual como 2.000 anos atrás viviam seus antepassados, ao tempo que laboratórios realizam pesquisas com biotecnologia de ponta a nível mundial ?
Nos vários “paises” que o Brasil comporta dentro de si floresceram inúmeras culturas, que sob o calor do trópico adquiriram forte personalidade, sendo famosas algumas características que as diferenciam das demais, com destaque para: alegria, hospitalidade, criatividade. É neste contexto que uma vila de pescadores perdida no meio das dunas assoma para o mundo nos anos setenta. Situada a beira-mar no Estado do Ceará, Nordeste do Brasil, Canoa Quebrada era habitada por pescadores e labirinteiras, duas atividades sob as quais girava a economia e a vida comunitária, marcando fortemente sua cultura tradicional de praia nordestina. O vilarejo recebia visitas esparsas de vizinhos, parentes e vendedores que se misturavam aos raros turistas, quase sempre vindos de locais próximos ou Fortaleza. A beleza natural com falésias vermelhas, mar verde morno e calmo, brancas dunas e clima tropical estável o ano todo fazia Canoa interessante, mas sem dúvida o maior atrativo que fez Canoa ser conhecida no mundo todo foram suas características culturais, principalmente a incrível hospitalidade, o desejo de receber o visitante e conversar, trocar informações. Ao longo do litoral Nordestino e Brasileiro existem inúmeros vilarejos parecidos com Canoa Quebrada, porque então essa preferência pelo lugar demonstrada no fluxo incomparável de turistas? O mundo dos anos 60 vivia sob o impacto da contestação jovem, o rock, a liberação sexual, o protesto contra a guerra do Vietnam, a revolução cubana, o “ Flower Power”. A juventude queria viver “algo diferente”. Os hippies saem das tocas e começam a rodar a estrada atrás do sonho do “mundo melhor”. Os que chegam a Canoa Quebrada se deparam com aquilo que procuravam. Sendo muito bem recebidos, a primeira impressão foi ótima. No meio da areia interminável, rodeado pelo céu azul e o verde mar, o oásis prometido. Beleza natural aparte, o tesouro imaterial que mais atrai é a liberdade. Nesta ilha dunar, ninguém liga se você esta vestido assim ou assado, pobre ou rico, cearense ou gringo, se toma banho de mar desnudo, se namora muito ou nada. A cultura canoense hospitaleira e livre vem como anel ao dedo aos buscadores do novo mundo. Além do mais o povo é pacifico e alegre. Ainda quer mais? Porque tem mais. A chegada do turismo possibilita que os visitantes deixem de se-los, ficando por aqui muitos, já que trabalho não falta e para que viajar pelo mundo se agora o mundo é que esta vindo para cá? Junto com o turismo vieram os objetos de consumo, melhores condições materiais, educação e saúde melhoraram. O que possibilitou a transição calma sem maiores resistências. O caldeirão Canoa Quebrada começa a fervilhar nos anos 80 antecipando o fenômeno depois conhecido como “Globalização”, isto é o contato rápido com diferentes culturas, a convivência com pessoas e costumes diferentes, a concorrência comercial, a chegada do poder público, além de mazelas como tráfico de drogas, violência, poluição. Canoa recebe em menos de vinte anos uma overdose de “modernidade”, e passa diretamente e sem anestesia do século 19 para o século 21. E onde entra o “choque de culturas” nisso tudo? Não entra, simplesmente porque não houve “choque”. Bem diz o ditado popular “quando um não quer, dois não brigam”, ou não chocam. A cultura canoense por ser de índole liuvre, permissiva, não tem medo do novo, da inovação. Antes disso, sem perder o referencial, ela incorpora ou então aceita novos valores. Assim, o aluvião cultural não levou consigo aquelas características básicas que continuam vivas, encantando até hoje os visitantes que estão, como antes, procurando o “mundo melhor”. Estes patrimônios culturais em grande parte devem sua preservação ao trabalho realizado pelos agentes culturais, artistas e animadores que junto com os recém chegados trabalharam e ainda trabalham na promoção cultural.
Fonte: Jornal CANOARACATI - Indio